Os sacramentos

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO TEOLÓGICO – ABEL
Área de Concentração: Liderança Cristã
Belo Horizonte – MG
2004

Resumo dos respectivos capítulos do livro “Sumário da Doutrina Cristã”,
de Edward W.A. Koehler.

Sacramento: O termo designava, originariamente, um juramento solene, como o de um soldado romano. Nesse sentido se encontra no latim, e também no português antigo.
Nesse sentido se usava o adjetivo sacramental no Portugal como sinônimo de cerimonioso.
O termo não consta da Bíblia. Vinha a ser aplicado ao batismo, e a seguir a outros sacramentos, porque tornando-se cristão, pelo batismo, o adepto jurava fidelidade a Deus, renunciando a todos os ídolos.

Definição: O sacramento é um sinal e penhor da graça divina, oferecida por Deus. Não tem nada a ver com sacrifício e obras humanas, é, pelo contrário, Deus, quem trata com o ser humano, oferecendo ou dando-lhe algo. Essa definição não contraria à do Aurélio: Sinal sagrado instituído por Jesus Cristo para distribuição da salvação divina àqueles que, recebendo-o, fazem uma profissão de fé.
Os sacramentos são então meios da graça, ao lado do evangelho.
Apesar de que o próprio dicionário Aurélio, que apresenta o ângulo de vista da Igreja Católica, define que um sacramento é instituído por Jesus Cristo, a Igreja Católica Romana tem sete sacramentos, enquanto a Igreja Luterana, orientada somente pela Escritura, tem apenas o batizado e a Santa Ceia. A Igreja Católica Grega (Igreja Ortodoxa) difere dos dois.

Além do batizado (Sacramento de Iniciação) e da Santa Ceia, aqui chamado de Eucaristia, a Igreja Católica Romana tem os sacramentos seguintes:

Confirmação ou crisma. Rito eclesiástico ministrado a adolescentes, para confirmar o batizado.

Penitência ou confissão. Não é idêntico com a confissão recomendada por Martin Luther. Enquanto a confissão luterana é um serviço de um cristão ao outro, ministrando-lhe, se quiser, a graça divina, a penitência católica é cerimonial, área exclusiva do sacerdote e visa a tendência, que um crente pode ganhar a graça por certos atos como rezar um certo número de preces ou fazer uma doação.
A confissão luterana tem quase todos os requisitos de um sacramento. O próprio Martin Luther trata a como um tal no início de seu livro “Cativeiro Babilônico da Igreja”, e na Confissão Augsburguiana surge ao lado do batizado e da Santa Ceia (artigos IX a XI)

A ordem. A ordenação do sacerdote, realizada pelo bispo, eleva o aspirante ao sacerdócio. Desde então ele tem um caráter imprimido que o distingue fundamental dos outros crentes.

O matrimônio. Casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher.

A extrema-unção ou Ùltimos Sacramentos, que inclui a confissão do moribundo, a comunhão sob a forma de viático, e a unção.


Em todos os sacramentos supranumerários da Igreja Católica evidentemente não tem fundo nenhum na Bíblia. Poderia-se discutir o caso da penitência, mas no primeiro caso, a confirmação, é sem dúvida uma invenção da igreja. Pode ser uma invenção prudente e boa, mas não pode reclamar por si uma origem divina.


O Poder ou Efeito dos Sacramentos
Como o próprio Evangelho os sacramentos asseguram aos crentes a graça do Senhor. Isso acontece independentemente da dignidade do ministrante e do participante. Claro, no obstante, que a quantia do efeito depende da fé e da atitude, com qual alguém aceita o sacramento.
O batismo e a Santa Ceia são, por conseguinte, válidos, mesmo se um pastor hipócrita ou até criminoso o ministra aos crentes, porque é Deus, quem atua no sacramento.

O batismo
O batismo está sem dúvida estabelecido por Jesus Cristo: No fim do evangelho de Mateus, no capitulo 3 de João e em Marco16.16, em primeiro lugar. Em João 3 Jesus acentua o modo de batizar
εξ ύδατος και πνεύματος” ( "ex hydatos kai pneumatos") (grego: de água e espírito).
No fim de Mateus ele explica o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Incumbe todos os seguidores, não somente sacerdotes, e manda batizar a todos.
O efeito não baseia magicamente na água, mas a água é a palavra de Deus. Não ajuda, por conseguinte, bendizer a água ou trazer água do rio Jordão.

A Santa Ceia
A Santa Ceia, também chamado Sacramento do Altar, Mesa do Senhor, Partir do Pão, ou na igreja católica “Santíssimo Sacramento” ou “Eucaristia”, foi instituída por Jesus na quinta-feira diante da sua morte. Na igreja primordial foi celebrada com maior freqüência, senão diariamente, segundo a palavra: Fazei isto todas as vezes que beberdes (1Cor11.25).
Geralmente a Santa Ceia está oferecida pelo pastor contratado da congregação, apesar de que a Igreja Luterana reconhece a qualidade do sacerdócio em todos os crentes, que seguem a Jesus, porque só ele e reconhecido como pastor de todos, sendo ele eleito pela congregação. Mas na praxe aceita-se também a Santa Ceia da mão de um pastor de uma outra congregação, ou aposentado.
A Igreja Luterana reprova a transubstanciação, sendo ela um ato mágico, mas toma a sério a palavra: Isso é a minha carne (sangue). Como na palavra de Jesus, na cruz, “esse é seu filho” e “ela é sua mãe” muda positivamente a qualidade dos objetos ou pessoas, mas não muda a matéria. Como João não recebe cromossomos de Maria para tornar-se filho verdadeiro, assim o pão não vira carne no sentido químico.
A presença de Jesus na Santa Ceia é real, mas seu corpo é celeste, invisível e insensível para os nossos cinco sentidos.